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Depoimento de Depoimento de Leonardo Magalhães

Oi, pessoal! Bem, meu nome é Leonardo Magalhães, tenho 18 anos e sou de Belém, Pará.

Hoje, passado o primeiro semestre como calouro de medicina, finalmente resolvi escrever e compartilhar um pouco da minha trajetória até aqui. Estive por muito tempo pensando no que escrever, tentando imaginar como contar para todos sobre as dificuldades para se alcançar a aprovação num curso tão concorrido como o nosso. Nosso. Digo isso porque é muito difícil falar da Medicina sem fazer uma somatória de todas as coisas que estão envolvidas nesse único e singular nome. Medicina é plural, é agonia, é euforia, é encanto, é desespero, é reprovação no vestibular, é cursinho. Medicina sou eu, é você, aprovado ou não, que ainda está à espera da aprovação, é você que tem um sonho vivo, um sonho pulsante, um desejo enorme de fazer desse sonho mais que uma profissão. Um desejo tão vivo que não é só meu, repito, é nosso. Um sonho que faz a luta por uma vaga numa universidade, seja ela pública ou privada, ser algo tão sacrificante, mas também tão valioso.
Bem, fui aprovado no Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA) ao final de 2013. Aos que não sabem, o Cesupa é uma instituição privada que, além da UFPA e UEPA, também oferece o curso de medicina na cidade. Eu fui reprovado no vestibular uma vez, ao final de 2012, enquanto ainda estava no terceiro ano do ensino médio. Recebida a notícia da reprovação, fiz de 2013 um ano de luta. Meu primeiro ano de cursinho e as incertezas eram tantas que já até imaginava outros possíveis anos na mesma situação. Minha rotina de estudos era tão atribulada quanto a de qualquer outro vestibulando. Tinha aula no cursinho pela manhã de segunda a sábado, com retornos, aulas extras, aulas particulares, curso específico de física e de redação.

Sempre tive (na verdade, tenho Hahaha) dificuldade com física e, analisando os resultados dos meus vestibulares anteriores, percebi que precisava trabalhar em cima dessa fraqueza. Ao final do ano do cursinho, percebi algumas coisas que valeram a minha aprovação. Você precisa ter dedicação, disciplina e responsabilidade. Parece simples, mas não é tão simples assim. Minhas dicas são que vocês sempre treinem redação, nunca priorizem matéria, estudem tudo, resolvam várias questões, acumulem conhecimento. Os vestibulares, com o passar dos anos, se repetem, vocês sabem disso. Então, nada mais certo do que montar uma rotina e seguí-la com afinco.

Sei o quanto dói receber a notícia de uma reprovação, o olhar desencorajado das pessoas em relação a você, as palavras maldosas que só quem é vestibulando entende. Quem dera o vestibular fosse tão simples como parece ou como as pessoas pensam que é, quem dera. Por trás de toda essa logística de questões, conteúdos, teoria, rotina, incertezas e cursinho existe outro aspecto fundamental: sorte. A concorrência não perdoa, vestibular é isso.
E hoje, especialmente hoje, é um dia muito feliz. Dia em que assinei o contrato do FIES e garanti o meu curso pelos próximos 11 semestres que faltam. Muitos me perguntaram se vale a pena essa dívida, esse gasto enorme com o curso numa instituição privada, se mais um ano de cursinho não seria a melhor opção para alcançar a aprovação numa pública. Não vejo bem assim, mas isso vai de pessoa para pessoa. Eu, particularmente, não vejo como gasto, vejo como investimento. Investimento pleno e certo de que meu sonho vai se realizar (está se realizando) e de que todas as minhas intenções com a Medicina serão concretizadas. Se existe a oportunidade, por que não utilizá-la? Pense nisso.
Outro aspecto: um semestre após ter iniciado no curso, eu me sinto uma pessoa melhor. Reforcei meus ideais, meus objetivos, meus desejos e estou completamente satisfeito com a Medicina. Quando me perguntam sobre o curso, sou bem claro em falar que não há o que falar, meu sorriso e o brilho no olhar já falam por mim. Não existe satisfação maior do que ver seu sonho se realizando, de poder ter dito um dia “Eu consegui, eu passei!”. Não vou mentir que acreditava com a minha aprovação numa universidade pública, mas, por tantos e tantos motivos que foram citados e outros que fazem parte do caminho, acabei sendo aprovado apenas numa particular. E, hoje, sou muito grato por isso, por Deus ter feito com que o choro de agonia se transformasse em choro de alegria, alegria por ter passado no tempo Dele e por estar cursando o que sempre sonhei pra mim.

Medicina é vocação, é amor, é escolha e renúncia. Sou grato pelas experiências que tive ao longo desse semestre, pelas pessoas maravilhosas que conheci, pelo mundo encantador o qual agora faço parte. Só eu sei o que passei desde o momento da minha primeira reprovação até hoje, dia em que consegui o fies, dia em que posso dizer que sou alguém melhor. Um alguém apaixonado pelo curso, pela vida, pela vontade de curar e de levar conforto aos que precisam. Hoje reforço a minha idéia de que serei médico com a graça de Deus, por que sem Deus o que somos?

E é com esse relato, compartilhando minhas dificuldades e minhas experiências, partilhando de alguns dos sentimentos que vocês também possuem, que termino este texto.

Não há ninguém no mundo que lhe conheça melhor que você mesmo. Se pra você é importante estar dentro do mundo da Medicina, lute, estude, corra atrás. O cursinho é passageiro, a Medicina é para sempre. Muito obrigado! Boa sorte a todos!
Leonardo Magalhães.


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