Após 4 tentativas, fui aprovado em Medicina na USP.

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Publicado em: 24/01/2016

Acho que é de bom tom eu começar me apresentando a vocês. Chamo-me Rafael, tenho 21 anos e sou aluno, atualmente, do segundo ano da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, carinhosamente chamada de Pinheiros. A convite do Julio Sousa, idealizador do Projeto Medicina, escrevo algumas palavras sobre como foi a minha aprovação […]

Acho que é de bom tom eu começar me apresentando a vocês. Chamo-me Rafael, tenho 21 anos e sou aluno, atualmente, do segundo ano da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, carinhosamente chamada de Pinheiros.

A convite do Julio Sousa, idealizador do Projeto Medicina, escrevo algumas palavras sobre como foi a minha aprovação na faculdade e espero que, de alguma forma, eu possa inspirar ou ajudar vocês.

Como tudo nessa vida, é sempre bom começarmos pelo começo, ou seja, a partir do que me fez querer ser médico.

Quando entrei no colegial, isso no longínquo 2009, estava já me preocupando sobre qual carreira seguir, não sabia realmente o que queria. A maioria dos cursos me atraia, era muito complicado para um garoto de 15 anos realmente ter certeza de qual área seguir.

Conforme fui conhecendo mais as matérias do ensino médio, percebi que a tendência era que eu fosse para alguma faculdade de exatas ou biológicas – eu tinha grande facilidade com química e biologia, além de um grande interesse pelas ciências no geral – e, após pesquisar sobre os cursos, acabei ficando com a Medicina. Bom, com essa decisão tomada (por volta do final do primeiro colegial), comecei a me planejar sobre como eu iria alcançar a tão desejada aprovação.

Aqui vale destacar um pouco sobre o meu ensino. Estudei minha vida inteira em um colégio particular de São Paulo, não posso reclamar da qualidade, mas também não posso afirmar que eles possuem uma preparação direta para os vestibulares aqui de SP, os quais se caracterizam como uns dos mais difíceis do país. Sabendo disso, optei por fazer cursinho noturno junto com o terceiro colegial. Embora eu me destacasse como um dos melhores alunos da minha antiga escola, eu era ciente de que, se eu quisesse ser aprovado em uma universidade pública de ponta, eu deveria ralar bastante.

Chegamos, então, ao ano de 2011. Foi um ano conturbado, lidar com o terceiro ano e fazer cursinho não foi o maior desafio – inclusive porque o terceirão era uma “revisão” no meu colégio -, a maior dificuldade foi ver que o buraco para passar em medicina era muito mais embaixo. Naquele ano, no cursinho, eu pude sentir realmente como o vestibular é diferente de qualquer outra coisa que eu havia tido contato durante todo o meu ensino médio.

Primeiramente, eu tive um grande choque ao ver como existiam matérias que eu nem fazia a mínima ideia que podiam existir (isso porque eu estudei em uma escola particular, fico imaginando como deve ser muito pior para quem não teve esse privilégio). Além disso, também tive de aprender a lidar com a ideia de que milhares de pessoas eram muito melhores preparadas do que eu e que eu teria que aprender muita coisa para conseguir me igualar a elas. Naquele primeiro ano de cursinho, preparei-me para tentar aprender o máximo das matérias que eu não havia tido, dando destaque para Física e Geografia – felizmente meu colégio havia me preparado muito bem para Biologia e Química, as outras matérias eu conhecia a maioria do conteúdo, mas não necessariamente eu a dominava.

Bom, chegando no final do ano, prestei os quatro tradicionais vestibulares de São Paulo (Unesp, Unicamp, USP, Unifesp) e o Enem. Não consigo lembrar exatamente quais foram as minhas pontuações, mas lembro que acabei fazendo 75 pontos na Unesp (o corte tinha sido uns dois pontos a mais, eu acho) e que na Fuvest eu tinha ido muito mal. Pelo ENEM, acabei conseguindo pegar a primeira chamada na UFABC em um bacharelado em Ciências (não lembro o nome exatamente).

Diante de tudo isso, em 2012 eu caminhava para o meu segundo ano de cursinho, agora formado e podendo dispor de todo o meu tempo para me dedicar aos estudos, algo que eu tenho noção de que a maioria infelizmente não pode. Continuei no mesmo cursinho, de manhã na turma de biológicas com um reforço aprofundado de tarde para medicina. Esse sim foi um ano de grande crescimento. Com mais tempo eu pude me aprofundar nas matérias que eu tinha mais dificuldades (Física, História, Geografia), além de poder me aperfeiçoar nas que eu já mandava um pouco melhor (Química e Biologia). Foi nesse ano também que eu passei a me preocupar mais com a redação, fazia uma a cada 15 dias e utilizava constantemente os plantonistas para aprender a escrever melhor. O ano inteiro eu fazia basicamente a mesma rotina: teoria, testes, escritos – mesmo de segunda à quarta, quando eu ficava nas aulas do reforço até o início da noite. Esse ano foi muito cansativo, eu era o exemplo do “bitolado” do cursinho: fazia tudo, lia tudo.

No final do ano ocorreu o que era previsto: estava morto e não conseguia fazer um exercício bem feito. As provas chegaram e eu encarei as mesmas de 2011. Acabei passando somente para a segunda fase da Unesp, se não me engano fiz 78 pontos, e fiquei um pouco mais perto da Fuvest (fiz 67, acho). Pelos outros vestibulares eu acabei não passando em nada e a Unesp também não rolou (no entanto, acabei tirando 10 na redação e vi que o esforço ao longo do ano tinha valido a pena).

Em 2013, lá estava eu no terceiro ano de cursinho. Continuei no mesmo cursinho, no entanto as aulas de reforço à tarde foram reduzidas a uma tarde de quarta e outra de sábado. Naquele ano sim eu sentia que tinha chances, minhas notas em simulados estavam altas (bem acima dos cortes da Fuvest) e eu já tinha recuperado muitas matérias que eu não tinha facilidade. Foi um ano que eu sinto que eu perdi de bobeira. Por ter percebido que o cansaço tinha me atrapalhado, optei por descansar. Claro que não foi uma decisão arbitrária, eu mantinha notas altas e estudava tudo, mas não em uma intensidade que hoje eu julgo boa para medicina. Foi nesse ano também que eu dei de cara com outro grande vilão dos vestibulares, o psicológico. Eu já estava bastante cansado de toda aquela vida e nada me motivava a continuar a lutar com a garra que eu tinha tido antes. Em resumo, eu poderia ter me dedicado mais.

Daí chegou a Fuvest e a pior experiência da época de vestibulando veio. Foi um ano no qual a banca deu várias deslizadas (procurem, algumas questões estão muito estranhas) e, eu, sem estratégia nenhuma de prova, desesperei-me na hora e acabei jogando todos os esforços no lixo. Não vou esquecer nunca daquela tarde de domingo. Bom, o cara que tirava 80 nos simulados acabou fazendo 72 pontos. Foi o suficiente para ir para a segunda fase, mas o choque tinha sido tão grande que eu demorei bastante para voltar a estudar para as outras provas. Na Unesp, que tinha sido antes da Fuvest, eu fiz 81 pontos; no Enem, 144.

Quando os resultados de 2013 chegaram, tive uma grande surpresa: tinha ido muito bem na prova da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Não cheguei a passar por causa da prova de redação… (se eu fiz 10 redações em 2013, é muito. Eu disse que eu poderia ter me dedicado mais rs). Na Fuvest, fiquei longe, bem longe!

Se eu tivesse que destacar algum ano, ele seria 2014. Não porque foi o ano no qual eu fui aprovado, mas por causa do desenvolvimento de uma maturidade que eu precisava para encarar o vestibular. Naquele ano, eu resolvi que iria fazer as coisas bem-feitas, focando em qualidade ao invés de quantidade. Foi nesse ano em que eu foquei exclusivamente em exercícios, tanto testes como escritos (esses eu tinha deixado de lado em 2013, fato que resultou em uma nota péssima no segundo dia da Fuvest). Além disso, comecei a fazer um curso de redação particular.
Embora eu continuasse no mesmo cursinho, eu já tinha mais segurança e responsabilidade sobre como levar todo o estudo. Não ficava em dúvida se deveria faltar ou não, sabia escolher muito bem o que seria mais produtivo.

Em relação ao psicológico, decidi que não iria repetir os erros anteriores: tentei ao máximo me policiar ao longo do ano para que eu não surtasse na hora da prova. Contudo, eu sabia que não podia confiar 100% que eu estaria tranquilo. Para diminuir as chances de qualquer problema, tracei estratégias de prova que me mantinham focado e não abriam brechas para que qualquer desequilíbrio emocional ocorresse. Nessas estratégias, eu sabia exatamente cada coisa que eu faria no dia do vestibular, sabia a hora de avançar, parar e recuar. Toda essa preparação foi fundamental para a minha aprovação.

Esse é o único ano que eu tenho certeza das minhas notas nos vestibulares. Na Unesp, fiz 83 pontos na primeira fase; na Unicamp, 81 (finalmente eu tinha passado da primeira fase desse vestibular! Eu era sempre retido pelas malditas redações que tinham antes); na Fuvest, 77. No Enem eu tive 158 acertos. Finalmente eu tinha ido para a segunda fase de todas as provas com tranquilidade e agora começava o desafio das provas escritas.  Durante 2014 inteiro eu foquei muito em questões escritas, pois sabia que iriam me ajudar para a Unifesp e para a Fuvest. Além disso, redação foi o foco principal do meu ano, eu sabia que poderia garantir muita coisa através dela.

Chegando na época dos resultados, vieram as grandes surpresas e recompensas de tantos anos de esforço: fui aprovado na Ufcspa (sisu), na Escola Paulista de Medicina (EPM – Unifesp) e na USP (Pinheiros!!!!). Acabei decidindo ir para a FMUSP, aquela que me motivou em todos os anos que eu acabei de narrar por cima para vocês.

 

Daqui uns dias vai fazer 1 ano que eu vi o meu nome na lista da Fuvest. O tempo passou rápido, mas a certeza de que tudo valeu a pena continua marcada na minha história.

Peço desculpas por não ter detalhadamente todos os meus métodos de estudos, mas é que eu fiz muitos anos de cursinho e acabei mudando várias vezes. Acho que o que mais deu certo foi fazer exercícios, muitos! Ficava até umas nove da noite fazendo testes e escritos. Também gostava muito de resumir História, Geografia e Biologia. Quanto a revisões, não fazia muito, porque sempre estava fazendo simulados no cursinho. No final do ano, eu acompanhava a revisão do curso e fazia provas, foi um período que eu dobrei praticamente a quantidade de exercícios – cheguei a fazer provas da Fuvest de 2000 a 2014. Em suma, exercícios!
Não se esqueçam da redação, eu fiz uma média de duas por semana… Foi o que me garantiu com certeza uma grande parte da aprovação.

Também peço desculpas por não ter uma grande história de superação, diferente de muitos, tive a oportunidade de frequentar um colégio particular, estudei em um grande cursinho de São Paulo (com bolsa e até isenção total, porque eu não teria condições de pagar o valor integral) e, principalmente, tive uma família estruturada que me apoiou.

Aceitei esse convite para mostrar uma coisa que eu acredito e que talvez seja a maior dificuldade de todo mundo entender: tudo acontece no tempo certo. Não vale a pena ficar gastando energia com discursos de ódio contra aqueles que tiveram oportunidade, contra aqueles que não tiveram e de alguma forma estão tendo agora… contra qualquer um! Também gostaria de passar uma frase que me falaram em 2014, logo após o início das aulas no cursinho: encarem o vestibular como uma passagem, uma ponte que vai levar vocês ao lugar onde desejam estar.

Por fim, foquem nos seus sonhos e superem suas dificuldades, vocês vão ver que vale a pena.

 

 

 


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