Português

Lista de Exercícios sobre Verbos

Júlio Sousa
| | 7 min de leitura

Os verbos são uma das classes gramaticais mais importantes da língua portuguesa, sendo considerados o núcleo da oração por expressarem ação, estado, mudança de estado ou fenômeno da natureza. Dominar a conjugação verbal, os tempos, modos e vozes é fundamental para quem deseja ter sucesso nas provas de Português do ENEM e dos vestibulares, além de ser essencial para uma boa produção textual na redação.

Nos vestibulares e no ENEM, questões sobre verbos aparecem com frequência tanto na prova objetiva quanto na avaliação da redação. Na prova objetiva, são cobrados aspectos como concordância verbal, regência, correlação de tempos verbais e identificação de modos e tempos. Já na redação, o uso adequado dos verbos é critério de avaliação da competência linguística do candidato.

Nossa lista de exercícios sobre verbos foi elaborada com questões selecionadas que abrangem os principais tópicos cobrados nos vestibulares. Antes de praticar, revise os conceitos fundamentais apresentados abaixo para garantir uma base sólida.

Estrutura do Verbo

O verbo é formado por dois elementos básicos: o radical (que contém o significado) e as desinências (que indicam modo, tempo, número e pessoa). Por exemplo, no verbo “cantávamos”: “cant-” é o radical, “-a-” é a vogal temática, “-va-” é a desinência modo-temporal (indicando pretérito imperfeito do indicativo) e “-mos” é a desinência número-pessoal (indicando primeira pessoa do plural).

Os verbos são classificados em três conjugações, de acordo com a vogal temática:

  • 1ª conjugação: verbos terminados em -AR (cantar, amar, estudar)
  • 2ª conjugação: verbos terminados em -ER (vender, correr, escrever)
  • 3ª conjugação: verbos terminados em -IR (partir, dormir, assistir)

O verbo “pôr” e seus derivados (compor, repor, supor) são considerados da 2ª conjugação, pois derivam do latim “ponere”.

Modos Verbais

Os modos verbais indicam a atitude do falante em relação ao que está sendo dito. O português possui três modos:

Modo Indicativo

Expressa certeza, fatos considerados reais ou prováveis. É o modo da objetividade. Exemplos: “Eu estudo todos os dias”, “Ele viajou ontem”, “Amanhã faremos a prova”.

Modo Subjuntivo

Expressa dúvida, incerteza, hipótese, desejo ou possibilidade. É o modo da subjetividade. Exemplos: “Espero que você estude”, “Se eu fosse rico, viajaria”, “Talvez ele venha”.

Modo Imperativo

Expressa ordem, pedido, conselho ou súplica. Exemplos: “Estude mais!”, “Faça silêncio, por favor”, “Não desista dos seus sonhos”.

Tempos Verbais do Indicativo

Presente

Indica ação que ocorre no momento da fala, ações habituais ou verdades universais. Exemplo: “Eu estudo Medicina” (hábito), “A Terra gira em torno do Sol” (verdade universal).

Pretérito Perfeito

Indica ação concluída no passado. Exemplo: “Ontem estudei por cinco horas”.

Pretérito Imperfeito

Indica ação passada não concluída, habitual no passado ou simultânea a outra ação passada. Exemplo: “Quando eu era criança, brincava todos os dias”.

Pretérito Mais-que-perfeito

Indica ação passada anterior a outra ação também passada. Exemplo: “Quando cheguei, ele já saíra” (forma simples) ou “tinha saído” (forma composta).

Futuro do Presente

Indica ação que ocorrerá após o momento da fala. Exemplo: “Amanhã estudarei o dia todo”.

Futuro do Pretérito

Indica ação futura em relação a um momento passado, ou expressa polidez, dúvida, condição. Exemplo: “Ele disse que viria”, “Você poderia me ajudar?”.

Tempos Verbais do Subjuntivo

Presente do Subjuntivo

Expressa desejo, dúvida ou possibilidade no presente ou futuro. Exemplo: “Espero que ele chegue cedo”, “Talvez eu vá à festa”.

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Expressa condição, hipótese ou desejo relacionados ao passado ou presente. Exemplo: “Se eu estudasse mais, passaria no vestibular”.

Futuro do Subjuntivo

Expressa possibilidade ou condição futura. Exemplo: “Quando você chegar, me avise”, “Se ele vier, conversaremos”.

Formas Nominais do Verbo

As formas nominais são assim chamadas porque podem exercer funções típicas de nomes (substantivos, adjetivos, advérbios):

Infinitivo

Forma nominal que nomeia a ação verbal. Pode ser pessoal (flexionado) ou impessoal (não flexionado). Exemplos: “Estudar é importante” (impessoal), “É hora de estudarmos” (pessoal).

Gerúndio

Indica ação em curso, simultaneidade ou modo. Terminação: -NDO. Exemplos: “Estou estudando”, “Saiu correndo”.

Particípio

Indica ação concluída. Terminações regulares: -ADO (1ª conjugação) e -IDO (2ª e 3ª conjugações). Alguns verbos têm particípio irregular: feito (fazer), escrito (escrever), aberto (abrir), visto (ver), dito (dizer). Exemplo: “O trabalho foi feito”.

Verbos Regulares e Irregulares

Verbos regulares seguem o paradigma de sua conjugação, mantendo o radical inalterado e usando as desinências padrão. Exemplo: cantar (canto, cantas, canta, cantamos, cantais, cantam).

Verbos irregulares sofrem alterações no radical ou nas desinências. Alguns dos mais importantes são:

  • Ser: sou, és, é, somos, sois, são (presente); fui, foste, foi… (pret. perfeito)
  • Ir: vou, vais, vai, vamos, ides, vão (presente); fui, foste, foi… (pret. perfeito)
  • Ter: tenho, tens, tem, temos, tendes, têm (presente)
  • Vir: venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm (presente)
  • Ver: vejo, vês, vê, vemos, vedes, veem (presente)
  • Fazer: faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem (presente)
  • Dizer: digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem (presente)
  • Trazer: trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem (presente)

Vozes Verbais

As vozes verbais indicam a relação entre o sujeito e a ação expressa pelo verbo:

Voz Ativa

O sujeito pratica a ação. Exemplo: “O aluno resolveu a questão”.

Voz Passiva

O sujeito sofre a ação. Pode ser analítica (com verbo auxiliar ser/estar + particípio) ou sintética (com pronome “se”). Exemplos: “A questão foi resolvida pelo aluno” (analítica), “Resolveu-se a questão” (sintética).

Voz Reflexiva

O sujeito pratica e sofre a ação. Exemplo: “O aluno machucou-se”.

Correlação de Tempos Verbais

A correlação verbal é a harmonia entre os tempos verbais de uma frase ou texto. Erros de correlação são frequentes e muito cobrados em vestibulares. Algumas regras importantes:

  • Oração principal no presente/futuro → subordinada no presente do subjuntivo: “Espero que você estude
  • Oração principal no passado → subordinada no pretérito imperfeito do subjuntivo: “Esperava que você estudasse
  • Condição irreal no presente → pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito: “Se eu fosse rico, viajaria
  • Condição possível no futuro → futuro do subjuntivo + futuro do presente: “Se eu for aprovado, comemorarei

Verbos Defectivos e Abundantes

Verbos defectivos não possuem todas as formas de conjugação. Exemplos: abolir (não tem “eu abulo”), falir (não tem “eu falo”), reaver (só se conjuga onde “haver” tem a letra “v”: reavemos, reaveis).

Verbos abundantes possuem mais de uma forma para o mesmo tempo, geralmente no particípio: aceito/aceitado, entregue/entregado, pego/pegado. A forma regular é usada com ter/haver; a irregular, com ser/estar.

Como os Verbos São Cobrados nos Vestibulares

As questões sobre verbos nos vestibulares geralmente abordam: identificação de tempos e modos verbais em textos; conversão entre vozes verbais; correção de erros de concordância e correlação temporal; conjugação de verbos irregulares; uso do subjuntivo em orações subordinadas; e emprego das formas nominais. Na redação, avalia-se a adequação dos tempos verbais ao tipo de texto e a manutenção da coerência temporal.

Pratique com Nossa Lista de Exercícios

Agora que você revisou os principais conceitos sobre verbos, é hora de praticar. Nossa lista contém exercícios selecionados de vestibulares que abordam todos os aspectos discutidos. Resolver questões é fundamental para identificar dificuldades específicas e consolidar o aprendizado. Bons estudos!

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Júlio Sousa

Empreendedor em educação há mais de 15 anos. Fundador dos sites Rumo ao ITA, Projeto Medicina e Projeto Redação. Já ajudou milhares de estudantes ingressarem no curso de Medicina em universidades públicas e privadas no Brasil.