Aprendizagem em Matemática no ensino médio segue crítica no Brasil, aponta estudo

Julio Sousa
| | 11 min de leitura
Ilustração abstrata sobre aprendizagem em Matemática no ensino médio, com gráficos e elementos educacionais sem texto.

Aprendizagem em Matemática no ensino médio acende alerta nacional

Aprendizagem em Matemática no ensino médio virou um dos principais sinais de alerta da educação brasileira após a divulgação de uma análise do Todos Pela Educação, baseada nos resultados do Saeb entre 2005 e 2025. O levantamento mostra que o Brasil avançou em Língua Portuguesa e Matemática nas últimas duas décadas, mas evidencia um problema grave no fim da educação básica: em 2025, apenas 8,5% dos estudantes da rede pública concluíram o ensino médio com nível considerado adequado em Matemática.

O dado chama atenção porque resume uma contradição importante. De um lado, houve melhora real, especialmente nos anos iniciais do ensino fundamental. De outro, o avanço perde força conforme os alunos avançam na trajetória escolar. Na prática, isso significa que muitos estudantes chegam ao ensino médio acumulando lacunas que acabam dificultando o desempenho em provas, vestibulares, no Enem e até em situações cotidianas que exigem raciocínio lógico.

Para quem está se preparando para processos seletivos, a notícia merece leitura cuidadosa. Ela não fala apenas sobre indicadores educacionais, mas sobre o ambiente real em que milhões de candidatos estudam. Quando a base de aprendizagem é frágil, a preparação para o Enem e os vestibulares se torna mais desigual. Por isso, entender o que o estudo revela ajuda o estudante a interpretar o cenário e, principalmente, a montar estratégias de estudo mais eficientes.

Mais do que um retrato estatístico, o levantamento reforça uma discussão que interessa diretamente a famílias, professores, gestores e alunos: como recuperar a aprendizagem de Matemática antes que essa defasagem continue limitando oportunidades acadêmicas e profissionais?

Em 2025, apenas 8,5% dos estudantes da rede pública no ensino médio atingiram o nível adequado em Matemática, segundo análise do Todos Pela Educação com base no Saeb.

O que mostrou o estudo sobre a educação brasileira

A análise divulgada nesta semana utilizou resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Saeb, para comparar a aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática entre 2005 e 2025. O foco recaiu sobre três etapas da rede pública: 5º ano, 9º ano e 3ª série do ensino médio. A leitura dos dados mostra que houve progresso, mas com intensidade muito diferente entre as etapas.

Nos anos iniciais, os números são mais positivos. No 5º ano, 60,7% dos estudantes alcançaram aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e 50,6% em Matemática em 2025. Isso representa um salto expressivo em relação a 2005. Além disso, essa etapa já conseguiu superar os níveis observados antes da pandemia, o que sugere recuperação mais consistente.

No 9º ano, a situação melhora menos. Em 2025, 38,3% dos alunos atingiram o nível adequado em Língua Portuguesa, mas apenas 18,8% chegaram a esse patamar em Matemática. Já no ensino médio, o contraste se torna ainda mais duro: 35,2% dos estudantes alcançaram aprendizagem adequada em Português, contra somente 8,5% em Matemática.

Outro ponto preocupante é o grupo que permanece abaixo do básico. No ensino médio, 58,6% dos estudantes estavam abaixo do nível básico em Matemática. Em Português, o percentual ficou em 31,2%. Isso quer dizer que mais da metade dos concluintes da rede pública termina a educação básica com domínio insuficiente de uma disciplina central para o Enem e para vários vestibulares.

Os principais números do levantamento

  • 5º ano: 60,7% com aprendizagem adequada em Português e 50,6% em Matemática.
  • 9º ano: 38,3% com aprendizagem adequada em Português e 18,8% em Matemática.
  • Ensino médio: 35,2% com aprendizagem adequada em Português e apenas 8,5% em Matemática.
  • Ensino médio em Matemática: 58,6% dos estudantes ficaram abaixo do básico.
  • Entre 2023 e 2025: todos os estados melhoraram o percentual de aprendizagem adequada em Matemática no ensino médio, mas o patamar geral continua muito baixo.

Por que a Matemática no ensino médio preocupa tanto

A Matemática ocupa posição estratégica no currículo escolar e nos exames de larga escala. Ela aparece com peso relevante no Enem, influencia o desempenho em cursos concorridos e serve de base para áreas como engenharia, tecnologia, economia, saúde e ciências da natureza. Quando o aluno chega ao final do ensino médio sem domínio adequado da disciplina, o problema ultrapassa a nota de prova.

O estudo indica que as dificuldades se acumulam ao longo da trajetória escolar. Isso explica por que os resultados são melhores no 5º ano e piores no 9º ano e no ensino médio. O estudante que não consolida operações, interpretação de gráficos, proporcionalidade, álgebra e resolução de problemas nos anos anteriores tende a enfrentar uma escada cada vez mais íngreme.

Também é importante notar que a ampliação do acesso ao ensino médio muda o perfil da etapa. Em 2005, cerca de quatro em cada dez jovens concluíam essa fase até os 19 anos. Em 2025, o número chegou a aproximadamente sete em cada dez. Isso é um avanço social relevante, mas exige políticas ainda mais robustas para garantir permanência com aprendizagem real.

O problema não está apenas em chegar ao fim da escola, mas em concluir o ensino médio aprendendo o suficiente para enfrentar o Enem, o vestibular e a vida acadêmica.

Em outras palavras, universalizar o acesso foi e continua sendo fundamental, mas agora o desafio é garantir qualidade de forma mais equilibrada. O ensino médio brasileiro ainda convive com lacunas históricas, desigualdades regionais, dificuldades de infraestrutura e formação docente, além dos efeitos persistentes da pandemia sobre a aprendizagem.

O que esse cenário revela na prática

  • Muitos alunos chegam ao Enem com dificuldade em interpretar problemas matemáticos mais longos.
  • Há fragilidade em habilidades básicas, como análise de tabelas, porcentagem, razão e leitura de gráficos.
  • As defasagens aumentam a ansiedade diante da prova e reduzem a confiança do estudante.
  • O impacto é maior entre quem depende exclusivamente da escola pública como principal suporte de preparação.

Como isso afeta o Enem e os vestibulares

Para o estudante, a notícia tem uma tradução objetiva: a prova de Matemática continua sendo um dos grandes gargalos do desempenho nacional. No Enem, isso pesa ainda mais porque a área de Matemática e suas Tecnologias costuma influenciar bastante a média final, além de ter importância decisiva em vários cursos com alta concorrência.

Quando uma parcela tão pequena dos concluintes atinge o nível adequado, fica claro que a preparação não pode depender apenas do que foi absorvido em sala ao longo dos anos. Muitos candidatos precisarão reforçar a base, rever conteúdos estruturantes e praticar com intencionalidade. Não basta sair resolvendo listas de forma aleatória. É necessário identificar onde estão as falhas e reconstruir degrau por degrau.

Esse cenário também ajuda a entender por que tantos estudantes relatam a sensação de que “sabem a teoria, mas travam na hora da questão”. Em Matemática, o domínio depende de treino, leitura atenta, estratégia e repetição qualificada. A falta de base não aparece só em contas difíceis; ela costuma surgir já na interpretação do enunciado e na escolha do caminho de resolução.

Competências que ganham ainda mais importância

Diante desse quadro, algumas habilidades se tornam essenciais para quem vai prestar vestibular ou Enem:

  • Interpretação de problemas, para entender exatamente o que a questão pede.
  • Leitura de gráficos e tabelas, competência cobrada com frequência no Enem.
  • Raciocínio proporcional, que aparece em porcentagem, escalas, razão e função.
  • Gestão de tempo, já que a prova exige equilíbrio entre velocidade e precisão.

O lado menos ruim da notícia é que esse diagnóstico também permite agir com mais clareza. Quando se conhece o tamanho do problema, fica mais fácil montar um plano de recuperação e priorizar o que realmente traz resultado.

Estados avançam, mas a desigualdade continua forte

O estudo mostra que houve melhora entre 2023 e 2025 em todas as unidades da federação no percentual de aprendizagem adequada em Matemática no ensino médio. Isso é relevante e merece destaque. Alguns estados, como Piauí e Rio Grande do Sul, aparecem entre os que mais avançaram no período. Nos anos finais do fundamental, Paraná, Ceará e Goiás também figuram entre os destaques.

Mesmo assim, o quadro geral está longe de ser confortável. Melhorar dentro de um patamar ainda muito baixo não resolve o problema estrutural. Em educação, crescer um pouco não significa necessariamente atingir um nível suficiente para garantir equidade entre os estudantes.

Além disso, o desempenho varia bastante conforme território, rede de ensino e etapa escolar. Esse dado importa porque mostra que não existe uma solução única. O Brasil tem realidades educacionais muito diferentes, e políticas públicas eficazes precisam considerar essas diferenças sem perder de vista metas nacionais ambiciosas.

O novo PNE aumenta a pressão por resultados

O novo Plano Nacional de Educação estabelece metas altas para a aprendizagem adequada até 2036. Para o 5º ano, a meta é chegar a pelo menos 90%; para o 9º ano, 85%; e para o ensino médio, 80%, além da expectativa de eliminar o contingente abaixo do básico. Os objetivos são importantes porque dão direção, mas os números divulgados agora deixam claro que o caminho será duro, especialmente em Matemática.

Se apenas 8,5% dos estudantes do ensino médio atingem hoje o nível adequado em Matemática, será preciso combinar políticas de recomposição, apoio pedagógico, valorização docente, melhor uso de dados e foco consistente em aprendizagem para que a meta deixe de ser apenas aspiracional.

O que o estudante pode fazer a partir dessa notícia

Nem tudo depende da política pública imediata. Para quem está estudando agora, a melhor resposta é transformar o diagnóstico em estratégia. Em vez de olhar o dado e desanimar, vale encará-lo como um alerta útil: se a Matemática é o ponto fraco mais frequente, então ela precisa receber atenção proporcional no planejamento semanal.

Uma boa abordagem é revisar a base antes de tentar avançar para conteúdos mais complexos. Muitas vezes, a dificuldade em funções, geometria analítica ou probabilidade nasce de falhas anteriores em fração, equação, razão ou leitura de problema. Corrigir a raiz costuma gerar ganhos mais rápidos do que insistir apenas em exercícios difíceis.

Estratégias práticas para recuperar a base em Matemática

  • Mapear os conteúdos em que você mais erra e separar por tema.
  • Revisar fundamentos antes de partir para listas avançadas.
  • Resolver questões comentadas para entender o raciocínio, não só o resultado.
  • Criar rotina curta e frequente de treino, em vez de estudar Matemática só esporadicamente.
  • Alternar teoria, exercícios e revisão de erros.

Também ajuda muito acompanhar o próprio progresso. Guardar questões erradas, anotar padrões de erro e revisitar tópicos recorrentes pode transformar a preparação. Isso melhora a memória, reduz a sensação de improviso e aumenta a confiança antes da prova.

No fim das contas, a notícia é preocupante, mas também bastante reveladora. Ela mostra que a aprendizagem em Matemática no ensino médio virou um dos principais gargalos da educação brasileira e que isso tem impacto direto no Enem e nos vestibulares. Ao mesmo tempo, deixa uma mensagem prática para o estudante: quem entender esse cenário e agir cedo pode construir vantagem competitiva justamente na área em que a maioria encontra mais dificuldade.

Em um contexto de alta concorrência, dominar a base matemática não é apenas uma exigência escolar. É uma forma concreta de ampliar oportunidades, ganhar pontos preciosos na prova e chegar mais preparado para o próximo passo da vida acadêmica.

Julio Sousa

Empreendedor em educação há mais de 15 anos. Fundador dos sites Rumo ao ITA, Projeto Medicina e Projeto Redação. Já ajudou milhares de estudantes ingressarem no curso de Medicina em universidades públicas e privadas no Brasil.