Sisu 2026 terá seleção complementar no 2º semestre: entenda o Sisu+, datas e quem pode participar
O Ministério da Educação (MEC) confirmou que o Sisu 2026 vai ter uma seleção complementar no segundo semestre, chamada de Sisu+, com a intenção de ocupar vagas que sobrarem depois de todas as chamadas e convocações da etapa regular. Na prática, isso cria uma “segunda chance” dentro do mesmo Sisu, sem ser um novo processo seletivo independente. Para quem está mirando Medicina e outros cursos muito concorridos, a novidade pode mudar a estratégia dos próximos meses, especialmente para quem ficou perto da nota de corte, não conseguiu matrícula por detalhes ou simplesmente quer manter o plano vivo até o meio do ano.
Segundo as informações divulgadas, o Sisu+ usa como base o Sisu 2026: ele é uma complementação da edição regular, pensada para preencher vagas remanescentes nas instituições públicas participantes. A inscrição será feita exclusivamente pela página do programa (acessounico.mec.gov.br/sisu) e acontece de 15 a 19 de junho. A chamada regular do Sisu+ está prevista para 24 de junho, com etapa de lista de espera logo na sequência.
O que é o Sisu+ e por que ele importa
Desde 2024, o Sisu passou a ter apenas uma edição anual, com seleção simultânea para quem entra no primeiro ou no segundo semestre. Isso reduziu o “espaço de manobra” para quem não passou de primeira, porque antes existia o calendário mais clássico de duas edições. O Sisu+ surge como uma resposta a um problema real do sistema: em muitos cursos e universidades, sobram vagas por motivos diversos, como desistências, prazos de matrícula perdidos, documentação incompleta, mudanças de cidade e até desistência por falta de moradia estudantil.
Quando essas vagas não são preenchidas, a universidade perde alunos e o país perde a oportunidade de ampliar o acesso ao ensino superior público. Para o estudante, o efeito é mais direto: abre-se uma janela adicional de seleção para quem já estava no jogo, o que pode ser decisivo no segundo semestre.
Quem pode participar do Sisu+ 2026
O ponto mais importante é: não é para todo mundo. De acordo com o edital, podem participar exclusivamente os candidatos que se inscreveram na etapa regular do Sisu 2026 e não se matricularam em nenhuma vaga por meio do programa. Isso inclui, por exemplo:
- quem participou do Sisu 2026, não foi aprovado e ficou sem matrícula;
- quem chegou a ser aprovado no Sisu regular, mas não efetuou a matrícula (por qualquer razão) e ficou fora;
- quem tentou uma opção de curso/campus e quer tentar outras opções no Sisu+.
O Sisu+ também exige critérios ligados ao Enem: o candidato precisa ter participado de uma ou mais edições do Enem em 2023, 2024 ou 2025, não pode ter sido “treineiro” (a não ser nos casos específicos de certificação do ensino médio) e precisa ter tirado nota acima de zero na redação.
Quais notas do Enem entram no cálculo
Uma parte interessante do Sisu+ é a regra de uso das notas: o sistema vai utilizar a edição do Enem (entre 2023, 2024 e 2025) em que o participante obteve a melhor média ponderada para aquele curso, respeitando os pesos definidos pela universidade. Em outras palavras, você não escolhe manualmente o “melhor Enem”, o sistema calcula e seleciona automaticamente a combinação mais vantajosa.
Isso pode beneficiar quem melhorou de um ano para o outro, mas também ajuda quem teve um desempenho irregular: às vezes o candidato foi muito bem em uma edição específica justamente nas áreas que têm mais peso para o curso pretendido. Para Medicina, dependendo da instituição, pode haver pesos maiores para Ciências da Natureza e Matemática, ou um equilíbrio com Linguagens e Humanas. Vale conferir o peso do curso na universidade desejada para entender como sua nota “se comporta” na média ponderada.
Quantas opções de curso posso escolher
No Sisu+, cada candidato poderá escolher até duas opções de curso no ato da inscrição, e essas escolhas são independentes das opções indicadas na etapa regular do Sisu 2026. Isso é relevante porque você pode ajustar estratégia sem ficar preso às escolhas do começo do ano.
As opções podem ser alteradas ao longo do período de inscrição, mas a regra padrão do Sisu se mantém: vale o que estiver salvo no sistema às 23h59 do último dia (19 de junho). Então, se você gosta de “testar nota de corte”, faça isso com método e evite deixar para o último minuto, porque instabilidade de sistema em períodos de pico é um risco real.
Cotas, bônus e ações afirmativas
O candidato deve indicar se deseja concorrer às modalidades de ações afirmativas que existirem nos cursos escolhidos. Segundo o edital, será permitida a escolha de uma ação afirmativa do tipo bônus e uma do tipo reserva de vaga, quando aplicável. Além disso, quem concorre por cotas precisa comprovar o direito na matrícula com documentação, como já ocorre no Sisu regular.
Esse ponto merece atenção, porque muitos indeferimentos acontecem por documentação incompleta ou inconsistências. Se você pretende concorrer por cotas no Sisu+, use as próximas semanas para organizar documentos, atualizar cadastros e entender exatamente o que a instituição exige. Cada universidade pode ter procedimentos e listas próprias.
Cronograma do Sisu+ 2026 (datas principais)
- Adesão das instituições: de 4 a 29 de maio de 2026
- Inscrição dos candidatos: de 15 a 19 de junho de 2026
- Divulgação da chamada regular (única): 24 de junho de 2026
- Manifestação de interesse na lista de espera: de 24 a 26 de junho de 2026
- Matrícula da chamada regular: a partir de 25/6 (conforme edital da instituição)
- Matrícula via lista de espera: a partir de 1º/7 (conforme edital da instituição)
Como as vagas serão distribuídas
As instituições que aderirem ao Sisu+ devem oferecer pelo menos duas vagas por curso e turno. O edital garante que, mesmo com reservas de vagas previstas pela Lei de Cotas e políticas internas de ações afirmativas, haverá no mínimo uma vaga de ampla concorrência em cada curso ofertado.
Na prática, isso significa que o volume de vagas pode variar muito: alguns cursos podem ofertar apenas o mínimo, enquanto outros, especialmente onde há maior desistência, podem oferecer mais. Em cursos super concorridos como Medicina, é comum que a sobra de vagas seja menor, mas ela existe, e quando aparece, tende a atrair muita disputa. Por isso, entender o funcionamento do Sisu+ agora, com antecedência, é vantagem.
O que muda na estratégia de quem quer Medicina
Para Medicina, o Sisu+ pode ser especialmente relevante para dois perfis:
- Quem ficou perto da nota de corte: pequenas variações na concorrência e a oferta de vagas remanescentes podem abrir uma brecha real.
- Quem errou no “jogo” da matrícula: perdeu prazo, teve indeferimento por documento, não conseguiu se deslocar, ou percebeu que a escolha de campus não era viável.
Ao mesmo tempo, é importante manter os pés no chão. O Sisu+ não substitui um plano completo de aprovação. Ele é uma oportunidade adicional, mas continua dependendo de nota, oferta de vagas e dinâmica de concorrência. Se seu objetivo é Medicina, e você ainda está distante das notas de corte, o melhor uso do Sisu+ pode ser como “ponte” para manter o foco enquanto você já se organiza para um próximo Enem ou para outras formas de ingresso (quando existirem na sua realidade).
Dicas práticas para não perder a chance
- Revise seus dados no Acesso Único: cadastro, e-mail, telefone e documentos precisam estar corretos.
- Organize documentação de cotas com antecedência: não espere abrir matrícula para correr atrás.
- Acompanhe o edital da instituição: prazos e procedimentos de matrícula variam.
- Não deixe para o último dia: especialmente para salvar opções de curso às 23h59.
- Tenha um plano B de logística: se for preciso viajar rápido ou se mudar, antecipe custos e possibilidades.
Fonte: reportagem do g1 sobre o Sisu 2026 e o Sisu+ (link), com base em informações do MEC e no edital do programa.
Julio Sousa
Empreendedor em educação há mais de 15 anos. Fundador dos sites Rumo ao ITA, Projeto Medicina e Projeto Redação. Já ajudou milhares de estudantes ingressarem no curso de Medicina em universidades públicas e privadas no Brasil.