Aprendizagem em Matemática no ensino médio segue crítica no Brasil, aponta estudo
Aprendizagem em Matemática no ensino médio acende alerta nacional
Aprendizagem em Matemática no ensino médio virou um dos principais sinais de alerta da educação brasileira após a divulgação de uma análise do Todos Pela Educação, baseada nos resultados do Saeb entre 2005 e 2025. O levantamento mostra que o Brasil avançou em Língua Portuguesa e Matemática nas últimas duas décadas, mas evidencia um problema grave no fim da educação básica: em 2025, apenas 8,5% dos estudantes da rede pública concluíram o ensino médio com nível considerado adequado em Matemática.
O dado chama atenção porque resume uma contradição importante. De um lado, houve melhora real, especialmente nos anos iniciais do ensino fundamental. De outro, o avanço perde força conforme os alunos avançam na trajetória escolar. Na prática, isso significa que muitos estudantes chegam ao ensino médio acumulando lacunas que acabam dificultando o desempenho em provas, vestibulares, no Enem e até em situações cotidianas que exigem raciocínio lógico.
Para quem está se preparando para processos seletivos, a notícia merece leitura cuidadosa. Ela não fala apenas sobre indicadores educacionais, mas sobre o ambiente real em que milhões de candidatos estudam. Quando a base de aprendizagem é frágil, a preparação para o Enem e os vestibulares se torna mais desigual. Por isso, entender o que o estudo revela ajuda o estudante a interpretar o cenário e, principalmente, a montar estratégias de estudo mais eficientes.
Mais do que um retrato estatístico, o levantamento reforça uma discussão que interessa diretamente a famílias, professores, gestores e alunos: como recuperar a aprendizagem de Matemática antes que essa defasagem continue limitando oportunidades acadêmicas e profissionais?
Em 2025, apenas 8,5% dos estudantes da rede pública no ensino médio atingiram o nível adequado em Matemática, segundo análise do Todos Pela Educação com base no Saeb.
O que mostrou o estudo sobre a educação brasileira
A análise divulgada nesta semana utilizou resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Saeb, para comparar a aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática entre 2005 e 2025. O foco recaiu sobre três etapas da rede pública: 5º ano, 9º ano e 3ª série do ensino médio. A leitura dos dados mostra que houve progresso, mas com intensidade muito diferente entre as etapas.
Nos anos iniciais, os números são mais positivos. No 5º ano, 60,7% dos estudantes alcançaram aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e 50,6% em Matemática em 2025. Isso representa um salto expressivo em relação a 2005. Além disso, essa etapa já conseguiu superar os níveis observados antes da pandemia, o que sugere recuperação mais consistente.
No 9º ano, a situação melhora menos. Em 2025, 38,3% dos alunos atingiram o nível adequado em Língua Portuguesa, mas apenas 18,8% chegaram a esse patamar em Matemática. Já no ensino médio, o contraste se torna ainda mais duro: 35,2% dos estudantes alcançaram aprendizagem adequada em Português, contra somente 8,5% em Matemática.
Outro ponto preocupante é o grupo que permanece abaixo do básico. No ensino médio, 58,6% dos estudantes estavam abaixo do nível básico em Matemática. Em Português, o percentual ficou em 31,2%. Isso quer dizer que mais da metade dos concluintes da rede pública termina a educação básica com domínio insuficiente de uma disciplina central para o Enem e para vários vestibulares.
Os principais números do levantamento
- 5º ano: 60,7% com aprendizagem adequada em Português e 50,6% em Matemática.
- 9º ano: 38,3% com aprendizagem adequada em Português e 18,8% em Matemática.
- Ensino médio: 35,2% com aprendizagem adequada em Português e apenas 8,5% em Matemática.
- Ensino médio em Matemática: 58,6% dos estudantes ficaram abaixo do básico.
- Entre 2023 e 2025: todos os estados melhoraram o percentual de aprendizagem adequada em Matemática no ensino médio, mas o patamar geral continua muito baixo.
Por que a Matemática no ensino médio preocupa tanto
A Matemática ocupa posição estratégica no currículo escolar e nos exames de larga escala. Ela aparece com peso relevante no Enem, influencia o desempenho em cursos concorridos e serve de base para áreas como engenharia, tecnologia, economia, saúde e ciências da natureza. Quando o aluno chega ao final do ensino médio sem domínio adequado da disciplina, o problema ultrapassa a nota de prova.
O estudo indica que as dificuldades se acumulam ao longo da trajetória escolar. Isso explica por que os resultados são melhores no 5º ano e piores no 9º ano e no ensino médio. O estudante que não consolida operações, interpretação de gráficos, proporcionalidade, álgebra e resolução de problemas nos anos anteriores tende a enfrentar uma escada cada vez mais íngreme.
Também é importante notar que a ampliação do acesso ao ensino médio muda o perfil da etapa. Em 2005, cerca de quatro em cada dez jovens concluíam essa fase até os 19 anos. Em 2025, o número chegou a aproximadamente sete em cada dez. Isso é um avanço social relevante, mas exige políticas ainda mais robustas para garantir permanência com aprendizagem real.
O problema não está apenas em chegar ao fim da escola, mas em concluir o ensino médio aprendendo o suficiente para enfrentar o Enem, o vestibular e a vida acadêmica.
Em outras palavras, universalizar o acesso foi e continua sendo fundamental, mas agora o desafio é garantir qualidade de forma mais equilibrada. O ensino médio brasileiro ainda convive com lacunas históricas, desigualdades regionais, dificuldades de infraestrutura e formação docente, além dos efeitos persistentes da pandemia sobre a aprendizagem.
O que esse cenário revela na prática
- Muitos alunos chegam ao Enem com dificuldade em interpretar problemas matemáticos mais longos.
- Há fragilidade em habilidades básicas, como análise de tabelas, porcentagem, razão e leitura de gráficos.
- As defasagens aumentam a ansiedade diante da prova e reduzem a confiança do estudante.
- O impacto é maior entre quem depende exclusivamente da escola pública como principal suporte de preparação.
Como isso afeta o Enem e os vestibulares
Para o estudante, a notícia tem uma tradução objetiva: a prova de Matemática continua sendo um dos grandes gargalos do desempenho nacional. No Enem, isso pesa ainda mais porque a área de Matemática e suas Tecnologias costuma influenciar bastante a média final, além de ter importância decisiva em vários cursos com alta concorrência.
Quando uma parcela tão pequena dos concluintes atinge o nível adequado, fica claro que a preparação não pode depender apenas do que foi absorvido em sala ao longo dos anos. Muitos candidatos precisarão reforçar a base, rever conteúdos estruturantes e praticar com intencionalidade. Não basta sair resolvendo listas de forma aleatória. É necessário identificar onde estão as falhas e reconstruir degrau por degrau.
Esse cenário também ajuda a entender por que tantos estudantes relatam a sensação de que “sabem a teoria, mas travam na hora da questão”. Em Matemática, o domínio depende de treino, leitura atenta, estratégia e repetição qualificada. A falta de base não aparece só em contas difíceis; ela costuma surgir já na interpretação do enunciado e na escolha do caminho de resolução.
Competências que ganham ainda mais importância
Diante desse quadro, algumas habilidades se tornam essenciais para quem vai prestar vestibular ou Enem:
- Interpretação de problemas, para entender exatamente o que a questão pede.
- Leitura de gráficos e tabelas, competência cobrada com frequência no Enem.
- Raciocínio proporcional, que aparece em porcentagem, escalas, razão e função.
- Gestão de tempo, já que a prova exige equilíbrio entre velocidade e precisão.
O lado menos ruim da notícia é que esse diagnóstico também permite agir com mais clareza. Quando se conhece o tamanho do problema, fica mais fácil montar um plano de recuperação e priorizar o que realmente traz resultado.
Estados avançam, mas a desigualdade continua forte
O estudo mostra que houve melhora entre 2023 e 2025 em todas as unidades da federação no percentual de aprendizagem adequada em Matemática no ensino médio. Isso é relevante e merece destaque. Alguns estados, como Piauí e Rio Grande do Sul, aparecem entre os que mais avançaram no período. Nos anos finais do fundamental, Paraná, Ceará e Goiás também figuram entre os destaques.
Mesmo assim, o quadro geral está longe de ser confortável. Melhorar dentro de um patamar ainda muito baixo não resolve o problema estrutural. Em educação, crescer um pouco não significa necessariamente atingir um nível suficiente para garantir equidade entre os estudantes.
Além disso, o desempenho varia bastante conforme território, rede de ensino e etapa escolar. Esse dado importa porque mostra que não existe uma solução única. O Brasil tem realidades educacionais muito diferentes, e políticas públicas eficazes precisam considerar essas diferenças sem perder de vista metas nacionais ambiciosas.
O novo PNE aumenta a pressão por resultados
O novo Plano Nacional de Educação estabelece metas altas para a aprendizagem adequada até 2036. Para o 5º ano, a meta é chegar a pelo menos 90%; para o 9º ano, 85%; e para o ensino médio, 80%, além da expectativa de eliminar o contingente abaixo do básico. Os objetivos são importantes porque dão direção, mas os números divulgados agora deixam claro que o caminho será duro, especialmente em Matemática.
Se apenas 8,5% dos estudantes do ensino médio atingem hoje o nível adequado em Matemática, será preciso combinar políticas de recomposição, apoio pedagógico, valorização docente, melhor uso de dados e foco consistente em aprendizagem para que a meta deixe de ser apenas aspiracional.
O que o estudante pode fazer a partir dessa notícia
Nem tudo depende da política pública imediata. Para quem está estudando agora, a melhor resposta é transformar o diagnóstico em estratégia. Em vez de olhar o dado e desanimar, vale encará-lo como um alerta útil: se a Matemática é o ponto fraco mais frequente, então ela precisa receber atenção proporcional no planejamento semanal.
Uma boa abordagem é revisar a base antes de tentar avançar para conteúdos mais complexos. Muitas vezes, a dificuldade em funções, geometria analítica ou probabilidade nasce de falhas anteriores em fração, equação, razão ou leitura de problema. Corrigir a raiz costuma gerar ganhos mais rápidos do que insistir apenas em exercícios difíceis.
Estratégias práticas para recuperar a base em Matemática
- Mapear os conteúdos em que você mais erra e separar por tema.
- Revisar fundamentos antes de partir para listas avançadas.
- Resolver questões comentadas para entender o raciocínio, não só o resultado.
- Criar rotina curta e frequente de treino, em vez de estudar Matemática só esporadicamente.
- Alternar teoria, exercícios e revisão de erros.
Também ajuda muito acompanhar o próprio progresso. Guardar questões erradas, anotar padrões de erro e revisitar tópicos recorrentes pode transformar a preparação. Isso melhora a memória, reduz a sensação de improviso e aumenta a confiança antes da prova.
No fim das contas, a notícia é preocupante, mas também bastante reveladora. Ela mostra que a aprendizagem em Matemática no ensino médio virou um dos principais gargalos da educação brasileira e que isso tem impacto direto no Enem e nos vestibulares. Ao mesmo tempo, deixa uma mensagem prática para o estudante: quem entender esse cenário e agir cedo pode construir vantagem competitiva justamente na área em que a maioria encontra mais dificuldade.
Em um contexto de alta concorrência, dominar a base matemática não é apenas uma exigência escolar. É uma forma concreta de ampliar oportunidades, ganhar pontos preciosos na prova e chegar mais preparado para o próximo passo da vida acadêmica.
Julio Sousa
Empreendedor em educação há mais de 15 anos. Fundador dos sites Rumo ao ITA, Projeto Medicina e Projeto Redação. Já ajudou milhares de estudantes ingressarem no curso de Medicina em universidades públicas e privadas no Brasil.